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Máscaras, passaporte de vacina, digitalização: o que esperar da retomada do turismo pós-pandemia

Especialistas do setor dizem que uso de máscara e álcool gel é legado da pandemia que deve ser mantido nas viagens. Preocupação sanitária, segundo eles, tende a alterar o comportamento do turista.



Com a pandemia da Covid-19 ainda em curso, o turismo é um dos setores com a maior expectativa para a retomada. O “novo normal” das viagens de lazer ainda está sendo definido, mas tem no radar desde passaporte eletrônico de saúde a serviços de quarto opcional em que o próprio hóspede se encarrega da limpeza.

Enquanto a vacinação contra o coronavírus avança lentamente, os protocolos sanitários dentro e fora do Brasil mudam a todo instante. Para especialistas em turismo, uso constante de máscara facial e álcool em gel é legado que deve ficar. Mas, algumas mudanças, sobretudo nos estilos de viagens, também são esperadas.

As principais tendências do turismo pós-pandemia segundo tais especialistas são:

· - Uso de máscara deverá ser obrigatório num primeiro momento;

· - Disponibilização de álcool gel em aeronaves, hotéis e restaurantes será mantida;

· - Comprovante de vacinação ou resultado de teste para Covid será obrigatório;

· - Maior digitalização dos serviços;

· - Condições de limpeza das hospedagens serão priorizadas pelos clientes;

· - Destinos regionais deverão ser os mais buscados pelos turistas;

· - Os chamados “mochilões” deverão ser substituídos por roteiros mais curtos;

· - Espaços ao ar livre deverão atrair mais público que os locais fechados.

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Os protocolos básicos de segurança contra o coronavírus – uso de máscara facial e álcool gel para higienizar as mãos – deverão ser mantidos, apontam os especialistas.

Já a máscara tende a ser flexibilizada, como já acontece na Nova Zelândia, por exemplo, que sediou recentemente o maior show com presença de público desde o começo da pandemia – cerca de 30 mil pessoas sem máscaras.

“A vida sem máscara é possível, mas acho que não vai acabar. Acho que as pessoas, mesmo podendo não usar, vão se sentir mais seguras usando”, avaliou o vice-presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), Frederico Levy.



Inovações à vista

Ainda segundo Levy, da Braztoa, a aceleração da digitalização de serviços demandada pela pandemia promete trazer novidades para o turismo. Entre elas, o passaporte eletrônico, incluindo um específico para saúde.

“A Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos) está criando um aplicativo de celular em que você vai ter ali o seu passaporte de saúde. Isso tem que ser uma coisa aceita por companhias aéreas, por países e integrado com laboratórios do mundo inteiro”, destacou.

Atualmente, para entrar em diversos países são exigidos comprovantes de vacinação contra várias doenças, como a febre amarela, por exemplo. A da Covid-19 também será indispensável.

O passaporte eletrônico de saúde poderá conter, além desses comprovantes, resultados de exames que também possam vir a ser exigidos, como o PCR, usado para detecção da presença do coronavírus. “Isso (o uso do passaporte de saúde) pode se estender a shows e eventos, por exemplo”, enfatizou Levy.

A digitalização dos serviços vai aumentar ainda mais, apontam especialistas. No segmento corporativo as empresas estão buscando ferramentas que permitam fazer a gestão das viagens de seus funcionários de forma a otimizar processos e economizar custos. Já no segmento de lazer, trata-se de um novo hábito de consumo potencializado pela pandemia.


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Outra inovação no setor de turismo apontada pelo vice-presidente da Braztoa, mas que não está atrelada à tecnologia, é a oferta opcional dos serviços de quarto em hotéis, em que o hóspede dispensa a limpeza e arrumação feitas por terceiros.

Replanejando roteiros

Para o diretor-executivo da Agência Brasileira de Engenharia Turística (Abet) Dener Fonseca, a grande maioria dos turistas não vai buscar roteiros pensando em limpeza ou medidas de prevenção à Covid.

“O turista não está viajando porque ele não pode, porque quando o destino abrir, ele vai”, afirmou.

Ele citou o exemplo de Campos do Jordão, no interior paulista, que ao reabrir as portas para o turismo registrou 92% de ocupação na rede hoteleira.

“O visitante não vai escolher o destino porque ele é mais limpo ou não. E o destino vai cumprir os protocolos não porque quer, mas porque ele é obrigado”, enfatizou.

A opinião de Fonseca, no entanto, não é unânime. Para outros especialistas, a preocupação com o contágio vai interferir, sobretudo, na escolha dos roteiros.

“A pessoa que iria para os Estados Unidos para ficar enfurnado o dia inteiro dentro de um shopping, talvez vá querer priorizar um parque nacional”, sugerem especialistas.

Os chamados “mochilões”, em que o turista permanece pouco tempo em um destino, priorizando conhecer o máximo de lugares possíveis na mesma viagem, tende a diminuir pelo mesmo motivo.

“Aquele negócio de conhecer oito países em 12 dias, provavelmente, vai diminuir. Em 12 dias, vai conhecer dois países e passear com mais calma e estar mais do lado de fora (de transportes e hospedagens)”, destacou.

No Brasil, a aposta é de fortalecimento do turismo regional – quanto mais próximo de casa, melhor. Já fatores econômicos tendem a aumentar a demanda por viagens nacionais.

“Uma coisa que é tendência forte e já está acontecendo é o fortalecimento do turismo doméstico. As fronteiras internacionais estão fechadas, com muitas restrições ao Brasil. Além disso, o dólar está muito alto. Então, as pessoas estão, como nunca, buscando os roteiros nacionais”, dizem especialistas.



Temperatura corporal monitorada nos navios

O segmento de cruzeiros marítimos está otimista com a possibilidade de retomar as operações no Brasil em outubro, quando começa a temporada de viagens. Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil), Marcos Ferraz, os protocolos sanitários já estão sendo discutidos com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e visam criar uma "bolha de segurança dentro e fora dos navios".

"É importante falar que são os mesmos protocolos que estamos usando em outros destinos como Itália, Cingapura, Taiwan, Japão, Taiti e Ilhas Canárias, que já retomaram os cruzeiros de lazer", ressaltou Ferraz.

Uma das principais medidas é a testagem em massa de toda a tripulação e todos os passageiros antes do embarque. "Algumas empresas estão fazendo nova testagem dos próprios cruzeiristas a partir do 3º dia de embarque", destacou.

Além da testagem, os navios estão sendo equipados com estações para medição da temperatura corporal por reconhecimento facial. A tecnologia também está sendo usada para monitorar casos suspeitos de Covid-19 dentro da embarcação.

"Gadgets, como pulseiras ou colares, por exemplo, são usados para monitoramento. Em caso de apresentar algum sintoma, a pessoa vai ser testada e isolada e com esse aparelho a gente sabe com quem essa pessoa esteve a menos de um metro e meio de distância e por mais de um minuto e meio para que todas elas também sejam monitoradas", explicou.

Todas as equipes em terra que têm contato com os ocupantes dos navios também terão testagem e temperatura monitoradas com frequência. “Vai ser uma extensão de uma bolha de segurança de dentro do navio para fora”, reforçou Ferraz.

Segundo a Clia, depois de ter toda a temporada de 2020/2021 cancelada, o segmento de cruzeiros no Brasil oferta mais de 566 mil leitos para a retomada este ano, na temporada que vai de outubro a abril.


Fonte: G1


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