EES NA EUROPA: 9 PAÍSES ADIAM IMPLEMENTAÇÃO COMPLETA DO NOVO CONTROLE DE FRONTEIRAS

O novo sistema de controle de fronteiras da Europa voltou a gerar preocupação entre viajantes. Nove países do Espaço Schengen informaram que ainda não conseguem aplicar integralmente o Sistema de Entrada e Saída (EES), mesmo após o sistema ter se tornado oficialmente operacional em todos os pontos de fronteira externa em abril de 2026.
França, Alemanha, Itália, Portugal, Grécia, Bélgica, Holanda, Malta e Suíça estão entre os países que enfrentam dificuldades técnicas e operacionais para concluir a implementação do sistema.
A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 14 de setembro, em meio a relatos de filas, atrasos e problemas no processamento dos dados biométricos em aeroportos europeus.
O que está acontecendo com o EES?
O EES — Entry/Exit System (Sistema de Entrada e Saída) foi criado pela União Europeia para substituir gradualmente os tradicionais carimbos nos passaportes por registros digitais.
O sistema registra eletronicamente a entrada e a saída de viajantes de países que não pertencem à União Europeia e que realizam estadias de curta duração.
Na primeira passagem pelo sistema, o viajante pode ter registrados:
imagem facial;
impressões digitais;
dados do passaporte;
informações sobre entrada e saída;
dados relacionados à viagem.
Nas viagens seguintes, a identificação tende a ser mais rápida, com a verificação dos dados já cadastrados.
Quais países estão adiando a implementação integral?
Os nove países que solicitaram mais tempo são:
França, Alemanha, Itália, Portugal, Grécia, Bélgica, Holanda, Malta e Suíça.
A situação não significa que esses países tenham abandonado o EES. O sistema continua sendo a regra europeia. O problema está na capacidade de alguns países de executar todas as etapas do processo de maneira consistente, especialmente nos aeroportos de maior movimento.
A Suíça, embora não faça parte da União Europeia, integra o Espaço Schengen e participa do sistema de controle de fronteiras.
Por que a implementação está enfrentando dificuldades?
Um dos principais problemas está na infraestrutura necessária para processar o grande volume de passageiros.
Entre os obstáculos apontados estão:
dificuldades técnicas nos equipamentos de controle;
problemas na coleta e transmissão de dados biométricos;
insuficiência de funcionários em determinados pontos de fronteira;
dificuldades com quiosques e sistemas automatizados;
longas filas nos aeroportos;
aumento do tempo necessário para o controle migratório;
risco de passageiros perderem conexões.
A situação já vinha sendo acompanhada pela indústria aérea. Em fevereiro de 2026, IATA, ACI EUROPE e Airlines for Europe alertaram que as filas poderiam chegar a quatro horas ou mais durante períodos de grande movimento caso os problemas não fossem solucionados.
Passageiros já perderam voos por causa das filas
O impacto não é apenas teórico.
A IATA relatou problemas em destinos como Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Bélgica, incluindo situações em que passageiros não conseguiram chegar ao portão de embarque a tempo devido à demora no controle de fronteira.
Em um caso citado pela entidade, mais de 100 passageiros de um voo da easyJet saindo de Milão não conseguiram concluir o controle migratório a tempo de embarcar.
Para quem viaja pela Europa com conexões apertadas, o cenário merece atenção especial.
O que muda para brasileiros?
Brasileiros que viajam para a Europa para estadias de curta duração também estão sujeitos ao EES, desde que não possuam uma condição que os isente do sistema, como determinadas situações de residência ou nacionalidade europeia.
O EES não é um visto e não altera, por si só, a regra de permanência de curta duração de até 90 dias dentro de um período de 180 dias.
A principal mudança é a forma como as entradas e saídas passam a ser registradas.
Com o sistema digital, as autoridades europeias conseguem acompanhar com maior precisão o período de permanência do viajante e identificar possíveis casos de excesso de permanência, documentos fraudulentos ou inconsistências de identidade.
Quem vai viajar deve ficar atento
Apesar dos problemas de implementação, o EES continua válido e deve ser considerado no planejamento de uma viagem à Europa.
Para o passageiro, uma das principais recomendações é evitar conexões muito curtas em aeroportos movimentados, principalmente quando houver necessidade de passar pelo controle de imigração e realizar o procedimento do EES.
Também é importante:
✔️ conferir a validade do passaporte antes da viagem;
✔️ verificar as regras de entrada do país de destino;
✔️ considerar tempo adicional para imigração;
✔️ evitar conexões excessivamente apertadas;
✔️ acompanhar eventuais orientações da companhia aérea e das autoridades locais;
✔️ verificar se haverá necessidade de registro biométrico na chegada.
O que esperar nas próximas semanas?
A expectativa é que os países envolvidos continuem trabalhando na resolução dos problemas técnicos e operacionais.
A União Europeia pretende manter o EES como parte central da modernização dos controles de fronteira, mas a experiência dos primeiros meses mostrou que a tecnologia precisa estar acompanhada de infraestrutura adequada, pessoal suficiente e capacidade para lidar com grandes volumes de passageiros.
Para quem pretende viajar à Europa, o sistema não significa que a viagem ficará inviável, mas pode aumentar o tempo necessário para passar pela imigração, especialmente em aeroportos movimentados.




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