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EES Europa: fim da flexibilização pode aumentar filas nos aeroportos

há 1 dia
4 min de leitura

Fim da flexibilização da coleta biométrica pode aumentar filas nos aeroportos.

Veja o que muda para brasileiros.


EES Europa: fim da flexibilização pode aumentar filas nos aeroportos

O fim da flexibilização do EES Europa acende um alerta para passageiros que pretendem viajar pelo continente. A partir de setembro, os aeroportos e demais pontos de fronteira terão menos margem para suspender temporariamente a coleta biométrica quando as filas atingirem níveis considerados excessivos. A medida preocupa companhias aéreas e entidades do setor, que temem novos períodos de espera prolongada nos principais terminais europeus.

O Sistema de Entrada/Saída da União Europeia (Entry/Exit System – EES) substituiu gradualmente os carimbos nos passaportes por registros digitais e biométricos. O sistema está plenamente operacional desde 10 de abril de 2026 nos pontos de fronteira externos dos países europeus que utilizam o EES.


O que muda com o fim da flexibilização?

Durante a fase de implementação do EES, os países tiveram mecanismos excepcionais para lidar com situações de congestionamento nos controles de fronteira. Em determinadas circunstâncias, a coleta de dados biométricos poderia ser parcialmente ou totalmente suspensa para evitar que filas excessivas provocassem impactos ainda maiores no fluxo de passageiros.

Essa possibilidade de flexibilização, entretanto, chega ao fim, deixando os aeroportos com menos alternativas para aliviar rapidamente os controles quando houver picos de movimento.

A mudança ocorre justamente em um momento de preocupação do setor aéreo e turístico com a capacidade de alguns aeroportos europeus de processar grandes volumes de passageiros.

A IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo) vem alertando que o novo procedimento pode aumentar significativamente o tempo necessário para processar cada viajante.


Controle de passaporte pode ficar muito mais demorado

Um dos principais problemas está no tempo necessário para realizar o novo procedimento.

Segundo dados divulgados pela IATA, uma verificação que anteriormente levava aproximadamente 20 a 25 segundos por passageiro pode chegar a cerca de 90 segundos com os procedimentos associados ao EES.

Na prática, isso significa que a capacidade de processamento de um posto de controle pode cair consideravelmente quando há grande concentração de passageiros chegando simultaneamente.

E o tempo pode ser ainda maior quando ocorrem problemas técnicos, falta de funcionários, equipamentos indisponíveis ou necessidade de atendimento manual.

A IATA chegou a alertar para a possibilidade de filas de várias horas em períodos de grande movimento caso a infraestrutura e o número de funcionários não sejam suficientes.


O que é o EES Europa?

O EES Europa é o novo sistema digital de controle das fronteiras externas do espaço Schengen.

Ele registra informações dos viajantes de países que não pertencem à União Europeia e que entram para estadias de curta duração.

Entre os dados registrados estão:

  • nome e informações do documento de viagem;

  • data e local de entrada;

  • data e local de saída;

  • imagem facial;

  • impressões digitais;

  • informações sobre eventual recusa de entrada.

O sistema também permite registrar eletronicamente as entradas e saídas e facilita a identificação de pessoas que ultrapassam o período autorizado de permanência.

Para quem viaja ao espaço Schengen em uma estadia curta, a regra geral continua sendo o limite de 90 dias dentro de qualquer período de 180 dias, respeitadas as condições aplicáveis ao viajante.


Quem será afetado?

O EES é destinado principalmente a cidadãos de países que não pertencem à União Europeia que viajam para os países europeus que utilizam o sistema para estadias de curta duração.

Isso significa que brasileiros viajando para a Europa estão entre os passageiros que podem passar pelo procedimento, desde que estejam dentro do escopo de aplicação do EES.

Há, porém, categorias de viajantes que não são registradas no sistema, incluindo determinados titulares de vistos de longa duração e autorizações de residência, além de algumas outras situações específicas.


Aeroportos não são o único ponto de atenção

O impacto do EES não está limitado aos aeroportos.

O sistema também interfere nos controles de fronteira realizados em portos e conexões terrestres, incluindo locais de grande movimentação internacional.

Um exemplo importante é o corredor entre Reino Unido e União Europeia operado pelo Eurostar. A empresa informa que passageiros de países não pertencentes à UE podem precisar realizar o registro biométrico durante o processo de controle de fronteira.

O Eurostar inclusive disponibiliza quiosques de pré-registro em determinadas situações para tentar agilizar o procedimento antes do controle de fronteira.

Ainda assim, registros recentes da própria empresa mostram que procedimentos relacionados ao controle de fronteiras da União Europeia continuam provocando atrasos em estações como Bruxelas e Amsterdã.


Tecnologia ainda é um dos desafios

Outro ponto de preocupação é a infraestrutura necessária para que o EES funcione de maneira eficiente.

O sistema depende de quiosques de autoatendimento, equipamentos biométricos, sistemas de comunicação, leitores e integração entre diferentes estruturas nacionais de controle de fronteira.

Quando esses equipamentos não funcionam corretamente ou quando a capacidade instalada não acompanha o volume de passageiros, o atendimento pode voltar a depender de procedimentos manuais, aumentando ainda mais o tempo de espera.

A própria Comissão Europeia reconhece que alguns países ainda precisaram realizar ajustes em determinados pontos de fronteira, embora avalie que o sistema tenha funcionado de maneira amplamente satisfatória durante o verão europeu.


O que isso significa para o turista brasileiro?

Para quem está planejando uma viagem para a Europa, a principal recomendação é não deixar o controle migratório para a última hora.

O passageiro deve considerar tempo adicional para:

  • Controle migratório: o procedimento pode ser mais demorado do que antes.

  • Biometria: esteja preparado para fornecer impressões digitais e imagem facial quando solicitado.

  • Documentação: mantenha passaporte e demais documentos necessários facilmente acessíveis.

  • Conexões: evite montar itinerários com conexões excessivamente apertadas, principalmente quando houver necessidade de passar por controle de fronteira.

  • Chegada antecipada: em períodos de alta temporada, é recomendável seguir as orientações da companhia aérea e do aeroporto e considerar uma margem de segurança maior.

  • Trem e viagens terrestres: lembre-se de que o impacto do EES não se limita aos aeroportos.


EES não é o mesmo que ETIAS

É importante não confundir os dois sistemas.

EES é o sistema de registro de entradas e saídas e coleta de dados biométricos de determinados viajantes de países terceiros.

Já o ETIAS será uma autorização de viagem para determinados cidadãos de países isentos de visto que pretendem viajar para a Europa.

A Comissão Europeia informa que o EES já está plenamente operacional, enquanto o ETIAS está previsto para começar no último trimestre de 2026, com a data exata a ser anunciada oficialmente.

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